sábado, 17 de maio de 2014

Três verdades que todo professor precisa saber.





Planejar mais para errar menos.

Planejar é pensar sobre aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir. (OLIVEIRA. 2007. p.21).
O planejamento é a bussola do professor, que faz dele um profissional competente, capaz e digno de respeito. Planejar é saber o que vai acontecer, antecipadamente, cada dia do ano letivo. É ter a capacidade de reciclar, acrescentar, mediar, refazer, retomar e avaliar as partes essenciais do planejamento durante todo o desenvolvimento do mesmo. Um planejamento claro facilita à prática pedagógica, tirando da memória e dos ombros a sobrecarga neural. Quem planeja antecipadamente, conhece os riscos, sabe onde está, e onde estará. Sempre tem a resposta para quem vier lhe cobrar. Está vestido de competência. Tem a seu favor o principio ético da responsabilidade e do profissionalismo.
A educação, a escola e o ensino são os grandes meios que o homem busca para poder realizar o seu projeto de vida. Portanto, cabe à escola e aos professores o dever de planejar a sua ação educativa para construir o seu bem viver. (MENEGOLLA & SANT’ANNA, 2001, p.11
Quem mais é beneficiado com o bom planejamento do professor, é o próprio professor, a educação e o aluno, que sempre saberá onde está e porque está lá. O bom profissional planeja em etapas distintas. Planejamento anual, Semestral, trimestral, bimestral, mensal, semanal e diário. Distribuindo suas atividades dentro do de cada uma destes planejamentos ele sempre estará pronto a reconsiderar e modificar, sem perder o foco ou conteúdo.
O pior profissional da educação é “o professor do improviso”, dele vem os piores resultados, e sua prática pedagógica é marcada por avaliações de baixo nível, competência duvidosa e profissionalismo marcado pelo fracasso, não só dele, mas da educação como um todo.
A ausência de um processo de planejamento de ensino nas escolas, aliado às demais dificuldades enfrentadas pelos docentes do seu trabalho, tem levado a uma contínua improvisação pedagógica das aulas. Em outras palavras, aquilo que deveria ser uma prática eventual acaba sendo uma “regra”, prejudicando, assim, a aprendizagem dos alunos e o próprio trabalho escolar como um todo. (FUSARI, 2008, p.47
A marca de um mau profissional se conhece no orgulho de julgar-se autossuficiente, competente e inteligente a tal ponto de não precisar mais planejar. Basta olhar para o assunto chegar à sala de aula e despejar uma verborragia para sua turma que está tudo bem.
Segundo Moretto (2007, p.100), existe, ainda, a crença que a experiência do professor já é suficiente para ministrar aulas com competência. Professores com este pensamento ignoram a função do planejamento bem como a sua importância. Outro aspecto que vem influenciando o ato de planejar são os materiais didáticos ou as instruções metodológicas para os professores que acompanham estes materiais.
Muitas vezes os professores trocam o que seria o seu planejamento pela escolha de um livro didático. Infelizmente, quando isso acontece, na maioria das vezes, esses professores acabam se tornando simples administradores do livro escolhido. Deixam de planejar seu trabalho a partir da realidade de seus alunos para seguir o que o autor do livro considerou como mais indicado. (BRASIL, 2006, p. 40).
O planejamento é uma forma de mostrar respeito pela educação e pelo aluno, pois ao planejar o professor está dizendo que não sabe tudo e que também precisa aprender, além de  passar confiança e seriedade para sua turma e para comunidade escolar como um todo.

Autoridade como fruto do respeito.

Existe na sala de aula uma relação de poder entre o professor e o aluno, ainda que ninguém veja, esta relação de poder é um fato evidente e constatado. Existe o poder legitimo do professor, e o pode pretendido do aluno.  Destacam-se as possíveis manifestações desta relação de poder: O professor tenta impor seu “poder” sobre seus alunos (funciona com uns, mas não com todos) e quando o professor vira as costas tudo desmorona; Os alunos assumem o controle da sala, e nas relações de conflito não sabem o que fazer; ou, o professor divide com os alunos, o poder dentro da sala de aula, através de uma relação de respeito pelos múltiplos saberes, através de uma postura ética, justa, solidária, competente e democrática, e com isso ao passar do tempo, conquista a confiança dos alunos, a tal ponto de se tornarem amigos, não mais superior e/ou subalterno. Fazendo assim a relação de poder fica inerte, dentro de uma esfera democrática, a educação agradece.

A relação professor-aluno sempre foi pautada em alguns aspectos como a concretização de poder institucionalizada em nossa cultura de “autoridade” que tem o professor, como agente responsável, diante do sistema social mais amplo, pelo desempenho do grupo-classe. Esta institucionalização da autoridade deve ser combatida, para uma nova práxis, aonde o professor não vem vestido de autoridade ao chegar à sala de aula, mas constrói a autoridade a partir da relação entre sua prática e seus alunos.

Observa-se que as relações de autoridade não são somente baseadas no aspecto institucional; consideram-se também, como exercícios diferenciais de poder, as relações que se estabelecem como autoridade em decorrência da competência do professor, competências essas que compreendem o domínio teórico e prático dos princípios e conhecimentos que regem a instituição escolar. Quem mais conhece o professor é sua turma, basta perguntar e se saberá a qualidade do docente.
Na sala de aula o professor exerce uma autoridade, que é fruto de suas qualidades intelectuais, morais e técnicas. Ela é um atributo da condição profissional do professor e é exercida como estímulo e ajuda para o desenvolvimento independente dos alunos.

O professor estabelece objetivos sociais e pedagógicos, seleciona e organiza os conteúdos, escolhe métodos, organiza a classe, traça critérios de comportamento que são indispensáveis para um bom andamento da aula. Entretanto, essas ações devem ficar claras para os alunos, onde eles respondem como sujeitos ativos e independentes e não como meros repetidores. A autoridade deve orientar a educação e não cercá-la ou cerceá-la.

Autoridade e autonomia são dois tópicos no processo pedagógico. A autoridade do professor e a autonomia dos alunos são realidades aparentemente contraditórias, mas, de fato, complementares. O papel do professor extrapola a sala de aula e representa a sociedade na relação sociedade-individuo.

O professor tem que manter uma relação estreita entre a autoridade profissional que se manifesta no domínio da matéria que ensina, dos métodos e procedimentos de ensino, no ato em lidar com classe e atos individuais, na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos. A autoridade moral onde o conjunto das qualidades de sua personalidade como dedicação profissional, senso de justiça e sensibilidade tem influência sensível sobre a turma e por fim a autoridade técnica que se manifesta na capacidade de empregar com segurança os princípios didáticos e o método didático da matéria, de modo que os alunos compreendam e assimilem os conteúdos da matéria e sua relação com a atividade humana e social.

Esse conjunto de autoridades se faz necessário para uma boa disciplina e um bom relacionamento, que lhe permitem organizar o processo de aprendizagem. O aluno traz consigo sua autonomia, sua individualidade e liberdade, mas a liberdade esta condicionada pelas exigências grupais e pelas exigências da situação pedagógica implicando em responsabilidade, neste sentido a responsabilidade é a síntese da autoridade e da liberdade.

É comum encontrarmos depoimentos dos alunos, falas onde o professor não é visto como uma pessoa amiga que esta ali para ajudar, mas sim como aquela pessoa que detém o saber, que fala enquanto eles têm que ficar quietos, que fala bonito e eles falam errado, que castiga enquanto eles falam mal e que reprova quando eles não conseguem aprender o que tem que ser aprendido, isso é evidenciado com os alunos de todo o Brasil, pois já sofreram de certa forma situações como essas citadas, causando medo, e para se defender se fecham em si mesmos ou tornam-se agressivos e indisciplinados.

Ludicidade com responsabilidade.

Se o lúdico não for tratado com responsabilidade, os frutos dele colhidos não serão diferentes de qualquer outra estratégia de ensino, podendo ser até piores. Existem estados brasileiros que são especialistas em ludicidade. Cujos alunos de 0 a 14 anos, detêm os piores índices de aprendizado, o que me leva a esta reflexão. Sou defensor do lúdico, como proposta pedagógica, reconheço como a melhor estratégia, desde que, os envolvidos, estejam cientes que a brincadeira e a alegria precisam ser mediadas para ensinar alguma coisa ou algum princípio. 

Do contrário não haveria necessidade de escolas nem de professores, bastava os pais levarem os filhos a um parque de diversão e deixar as crianças brincar o dia todo, se divertiriam, aprenderiam, mas de forma bem resumida. A escola deve ser lúdica, mas não pode se tornar um parque de diversão, um circo. É uma escola, e para tal, deve trabalhar conceitos científicos bem planejados, para que a ludicidade seja uma ferramenta de aprendizado, não uma forma do professor se “livrar” de suas incumbências.

Muitos profissionais têm usado a ludicidade para justificar a falta de planejamento, a falta de conceitos educacionais de qualidade e a falta de conteúdo científico em suas aulas. O professor precisa avaliar sua postura lúdica, e concluir se é um professor ou uma babá. Pois um professor ira utilizar cada momento de alegria para criar um significado, fazer uma descoberta, mediar à construção de algum saber.
 By Davi Barbosa
 Artigos e reflexões relacionadas:


REFERENCIAS:
RASIL. MEC – Ministério da Educação e Cultura. Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos – Avaliação e Planejamento – Caderno 4 – SECAD – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – 2006.

FUSARI, José Cerchi. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e tentativas de respostas. Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_08_p044-053_c.pdf.> Acesso em 10/110/2012.

LIBÂNEO, José Carlos, Didática. São Paulo. Editora Cortez. 1994

MENEGOLLA, Maximiliano. SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que planejar? Como planejar? 10ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

MORETTO, Vasco Pedro. Planejamento: planejando a educação para o desenvolvimento de competências. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

OLIVATTO, B. Ludicidade, escola e cultura popular. Salvador: 2002.

OLIVEIRA, Dalila de Andrade. Gestão Democrática da Educação: Desafios Contemporâneos. 7ª edição. Petrópolis, RJ. Editora Vozes.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico. 7ª edição. São Paulo 2000. Editora Liberdad.


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