domingo, 8 de junho de 2014

Abrindo mão das próprias convicções

Por Gi Barbosa Carvalho
Não é algo simples abrir mão de nossas convicções.
Imagem do site THE GUARDIAN
Acredito ser uma das coisas mais difíceis na sociedade de hoje , principalmente na área da Educação,o abrir mão das próprias convicções para aceitar o que o outro tem a colocar.
Ao longo de minha jornada pedagógica procurei atuar de forma crítica ( muitas vezes crítica demais, confesso) a fim de promover momentos válidos de reflexão aos meus colegas. 
Na atual conjuntura, ao abrirmos a nossa boca, em saindo dela duas sentenças o colega já não consegue escutar a terceira e as que se sucedem a elas... 
Estamos todos cheios de convicções espetacularmente perfeitas... 

Somos frutos de um sistema educativo em que "o sonho do oprimido é ser o opressor' e em saindo da condição de OBJETOS , nos colocamos como SUJEITOS do aprendizado a fim de fazer valer a nossa voz e calar a voz do outro. Pq, para os que se consideram sujeitos do aprendizado nada mais existe além de seu saber construído a duras penas . É certo que abrir mão deste saber "depositado" em nós enquanto éramos objeto e nunca sujeitos é algo doloroso e requer grande esforço.... Contudo é bom refletir sobre a frase que diz: " Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender."
Não somos apenas sujeitos dotados de conhecimento, e o outro não é uma cabeça oca que irá receber a carga de nossas convicções e internalizá-la como verdade absoluta.
Em muitas ocasiões, em que debati exaustivamente a cerca de um tema por ter minhas convicções abaladas, recusei-me a delas abrir mão e defendi com unhas e dentes um argumento totalmente sem sentido. Sob a ótica do "NÃO FIQUE POR BAIXO" é que vamos vivendo. E nesta ótica furada procuramos ser sujeitos da autonomia do outro... Procuramos por ns motivos subjugá-lo, manipulá-lo, convencê-lo que só existe uma verdade e esta verdade é a nossa.
Observem porém que:
"Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém"
Precisamos ir nos construindo na jornada, e construir, muitas vezes requer derrubar velhas e novas convicções.
Somos porventura papagaios que devem reproduzir o que posto foi por nossos antigos "carrascos"? Sim, pq oprimidos fomos ao venderem para nós verdades prontas e acabadas e oprimidos somos quando ainda vendem ( e a preço muito caro) NOVAS verdades prontas e acabadas.

Os "carrascos" do novo e perfeito modelo estão na ativa!
Colegas, sei que muitos de vocês que conseguiram passar da 2ª sentença deste extenso texto e até aqui chegaram têm suas próprias opiniões a cerca do que escrevo. Muitas positivas, e muitas negativas, mas as têm e eu quero considerar cada uma delas, pois acredito que muitas de minhas convicções ainda vão ser derrubadas ao longo de minha jornada pedagógica, e se você for responsável por fazer uma delas cair por terra serei imensamente grata, mas se você for responsável por firmá-las não desmerecerei seu empenho em me apoiar... Muito pelo contrário , serei feliz em saber que concordas comigo.
Encerro este texto com uma frase atribuída a Voltaire que diz: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".
Espero de verdade que os colegas possam aprender a opinar sobre as diversas questões sem medo de ter suas convicções derrubadas e sem medo de derrubar as convicções de ninguém... Até pq o " sábio sabe que ignora" e estamos em processo de constante formação e transformação.

Gi Barbosa CARVALHO.
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