domingo, 15 de junho de 2014

Projeto Carta Pedagógica para Educação Infantil

Projeto Carta Pedagógica para Educação Infantil


Projeto Carta Pedagógica para Educação Infantil

 Ao tomar-se a escola como lócus privilegiado do saber sistematizado, afastamos a mesma do cotidiano, não significando que este será ignorado. O dia-a-dia das crianças e toda bagagem oriunda deste constituir-se-ão apenas em pontos de partida a serem superados. A escola passa a ser um momento de suspensão da vida cotidiana, para isso, artificializa-se, apresenta-se como um ambiente criado, planejado pelos adultos que intencionalmente educam as crianças em seu interior. O principal direito a ser respeitado nessa instituição é o direito ao conhecimento. Direito esse propulsor do desenvolvimento infantil. (ARCE E MARTINS, 2010, p. 31).

Acreditando que o educador, enquanto sujeito social atribui à sua prática cotidiana todo conhecimento adquirido em suas vivências e que nos tornamos referência de adulto para os nossos alunos, cabe nesse documento descrever resumidamente minha trajetória profissional. Formada pedagoga em 2011 na faculdade Anhanguera em Campinas, minha vocação profissional foi descoberta pouco antes do momento acadêmico; em uma fase de poucas oportunidades profissionais, me vi ingressar como agente de educação infantil na rede municipal de campinas, em um cargo temporário em 2007.
A educação infantil foi um momento novo em minha vida, um momento de descobertas e desafios, quanto mais eu observava e experimentava, mais me encantava com as imensas possibilidades, em como os resultados surgiam após muito trabalho e dedicação; trabalhar com crianças pequenas trouxe uma satisfação nunca sentida com outra tarefa, eu não me realizaria em outra profissão. Sendo assim, veio minha escalada em busca do cargo que eu almejava, foram seis anos atuando como agente de educação infantil, onde tive oportunidade de trabalhar com excelentes profissionais, conhecer diversas maneiras de atuar, observar o erro e o acerto e participar ativamente da formação educacional, mesmo sem o cargo docente, comecei construir minha própria concepção de criança, de infância e de educação.
Com a graduação vem a sistematização e embasamento de toda prática já observada e vivenciada, acreditando que a formação docente precisa ser contínua e frequente, vislumbro muitos desafios à frente. Assumindo o cargo de PEBI no mês de Maio de 2013, atuei com a sala de AG3 D, iniciando assim minha jornada docente. Em 2014 minha escolha por uma sala com crianças menores não foi ao acaso, estou tendo oportunidade de estar onde tudo começou. Atuar onde a cerca de sete anos atrás, observei crianças se desenvolverem, aprenderem, se divertirem e serem muito felizes; agora, após muitos desafios e capacitação, estou onde quero estar, podendo fazer a diferença ativamente.
Antes de definir o planejamento anual, foi necessário observar os alunos por duas semanas e caracterizar as impressões a respeito da turma, integrando a visão de todas as educadoras que compõem a equipe, sendo elas: Maria Aparecida, professora TJE, Clarissa, professora adjunta que estão compondo equipe, Rachel e Tatiana, agentes de educação infantil.
No primeiro momento, as crianças chegaram à escola mostrando-se bastante retraídas, com dificuldade em deixar a família e relutantes em entrar na sala, que para muitos até então ambiente desconhecido. Houve um período de adaptação gradual, onde as crianças puderam se integrar com a nova rotina de forma agradável, sem traumas; hoje já brincam em grupo, interagem com o ambiente, cada vez mais criam vínculos afetivos e participam ativamente da rotina proposta, exceto uma criança que ainda chora muito e precisa de uma atenção especial.
Nossa turma é composta por crianças que vieram do berçário e outras que frequentam a escola pela primeira vez este ano; no momento são 26 alunos matriculados, com idades:
08 crianças entre 1 ano e sete meses e 1 ano dez meses
09 crianças recém completados 02 anos
           08 crianças entre 2 anos e dois meses e 02 anos e sete meses
           01 criança com 3 anos
É de suma importância salientar a idade das crianças para evidenciar nosso primeiro e maior desafio, relacionar o cuidar com o educar. Incluir práticas pedagógicas aos momentos de higiene se faz extremamente necessário, já que grande maioria das crianças faz uso de fraldas descartáveis, e os que utilizam o banheiro ainda precisam de auxilio. Já podemos notar um avanço nesse ponto, três crianças já demonstraram certo controle do esfíncter e em consonância com a família, não utilizarão mais fralda durante o dia. Sendo assim, faz parte do nosso planejamento pedagógico a atenta observação neste sentido, com intencionalidade do uso adequado do banheiro, respeitando o momento e as necessidades de cada criança; lembrando que é imprescindível a união família x escola, para que o processo de retirada de fraldas funcione, para tanto serão utilizados o caderno de recados e as reuniões de família e educadores para trocas de informações e observações que sejam necessárias.
Referente à linguagem oral, podemos pontuar as diferentes fases que se encontram as crianças da turma, uns não se expressam verbalmente em momento algum e exceto a única criança de 3 anos completos que se comunica de forma a expressar suas idéias, a maioria ainda utiliza muitos gestos para indicar seus desejos e angústias.
            O que diz respeito à cultura corporal, pude notar que as crianças têm grandes habilidades, gostam de testar seus limites, brincar e explorar o ambiente. Grande maioria tem um bom reconhecimento das partes do corpo, sabendo identificá-las. Ainda há necessidade de trabalhar a expressão corporal frente ao bom uso do corpo em imitações e situações de faz-de-conta, já quando estimulados com música, demonstram muita desenvoltura com dança.
            As brincadeiras que a turma mais gosta são: bonecas, bolsas, caminhões grandes, ferramentas, bolas e animais, mas realmente se encantam com o parque da escola, buscam explorar todos os espaços e notamos as crianças pequenas imitando os maiores na utilização dos escorregadores, balanças, casinha do Tarzan e demais brinquedos; o que nos primeiros dias foi momento observação e sondagem hoje, o parque já é muito aproveitado pelas crianças pequenas.
            Nos últimos dias elegemos democraticamente um nome para nossa turma. Foram lidas várias histórias e manuseados vários livros, o mais apreciado identificou nossa sala como “Turma da chapeuzinho amarelo”, notamos que a superação do medo despertou interesse e admiração nas crianças. Esse trabalho com a eleição do nome da turma tem o propósito de criar um sentimento de grupo, já que todos juntos escolhem algo que vai identificar todos que ali convivem diariamente; crianças pequenas tendem a individualidade e esse momento na escola é o ideal para desenvolver as interações sociais.
            Mesmo sem a intencionalidade de fazer uma sondagem inicial, percebi, através da hora da contagem das crianças, contação de histórias e ao guardar brinquedos que alguns alunos já reconhecem as cores, números, formas geométricas o que aguça a curiosidade nos demais, percebi que poderemos trabalhar imensas possibilidades com os saberes socialmente construídos que as próprias crianças pontuam. 
            A partir destes conhecimentos, buscarei trabalhar nas crianças uma ampliação de suas hipóteses de conhecimento de mundo, através de suas expressões nas mais variadas formas possíveis, lembrando que meu intuito principal é trabalhar com o que as crianças querem conhecer, ou seja, o planejamento abaixo estará em constante reformulação. 

             Planejamento Pedagógico - intencionalidades e conhecimentos a serem explorados
            Tendo avaliado os saberes num primeiro momento, o planejamento possuirá objetivos traçados a partir do reconhecimento das necessidades da turma em consonância com os propósitos pedagógicos da educação infantil e, mais especificamente, a partir do projeto pedagógico da escola. É importante deixar claro as convicções de que a criança é um ser fundamentalmente social, o que significa que sua inserção e interação no espaço escolar e com as pessoas dele são de suma importância para a relação de ensino-aprendizagem. Assim, proporcionar situações de interação mediadas pelo professor num ambiente estimulador é essencial para o trabalho. Os objetivos e intencionalidades educativas estão fundamentados no Referencial Curricular Nacional para a educação infantil (BRASIL, 1998), cujos preceitos abrangem:

·         O respeito à dignidade e aos direitos das crianças, consideradas nas suas diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, religiosas etc.;
·         O direito das crianças a brincar, como forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação infantil;
·         O acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis, ampliando o desenvolvimento das capacidades relativas à expressão, à comunicação, à interação social, ao pensamento, à ética e à estética;
·         A socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais, sem discriminação de espécie alguma;
·         O atendimento aos cuidados essenciais associados à sobrevivência e ao desenvolvimento de sua identidade. (BRASIL, 1998, p. 13).
Tendo esses fatores como base da prática pedagógica intencional, ação típica de um profissional formado para atuar na educação infantil, uma vez que se trata de uma etapa educativa que demanda saberes docentes específicos e não mero “dom”, acredito que a prática visa o desenvolvimento integral da criança, por meio do ensino dos conteúdos historicamente acumulados pelo homem. Nesse sentido:

A criança, portanto, é compreendida como um ser em construção, em processo de humanização, pois a natureza humana é fruto de nossa história social e não de processos psicogenéticos, ela não está dada no ato do nascimento biológico. Apropriar-se da cultura acumulada pela humanidade é um passo fundamental para a criança tornar-se humana, para o seu nascimento como ser social, como ser humano. (ARCE E MARTINS, 2010, p. 30-31).

            Eis, então, os conhecimentos planejados para serem trabalhados nesse ano letivo:
            Iniciando o ano com a prioridade de trabalhar a formação da identidade e de autonomia, conforme RCNEI (Brasil, 1998) “A identidade é um conceito do qual faz parte a ideia de distinção, de uma marca de diferença entre as pessoas [...]”. Trabalharemos o conhecimento de si próprio e do outro, com suas semelhanças e diferenças, quando prevalece sua vontade e o do outro e reconhecimentos dos seus pertences e respeito com os dos colegas. Trabalharemos com uso de fotos e crachás, fazendo a chamada participativa e outras atividades de reconhecer fotos e letras do seu nome e do outro, sempre buscando cooperação e auxílio dos colegas mais experientes. A utilização de outras marcas como adesivos, desenhos de própria produção ou outras artes poderão ser utilizadas para identificar os objetos pessoais utilizados na escola. É de suma importância tratar todas as crianças e as colegas de trabalho pelo nome, para que a criança identifique os pares e adultos, cada um com sua individualidade. O momento diário da roda também será proveitoso nesse ponto, utilizando músicas que citem nome das crianças, partes do corpo, ou que precisem se manifestar individualmente em algum momento; atividades que ressaltam gostos pessoais, características físicas e emocionais de cada um, família, hábitos e tradições culturais, bem como preferências coletivas de brincadeiras, comidas, cores, etc., farão parte do nosso trabalho para atingir o objetivo que é o desenvolvimento integral da criança.
           Quanto ao conhecimento de mundo pontuaremos o uso dos espaços e objetos comuns e a importância de compartilhar serão trabalhados nestes conceitos, através do intenso diálogo, interação com as demais salas e o uso da rotina como caracterização da nossa turma, pois são os nosso horários, e cada turma tem o seu. Questões relacionadas à higiene, saúde e alimentação também serão trabalhados cotidianamente em meio à rotina, por meio da exploração desses temas despertando para a autonomia na higiene no ato de se limpar, lavar as mãos, limpar nariz e boca, cuidado com seus pertences, importância de bons hábitos alimentares, incentivo a experimentar diferentes tipos de alimentos. É pretendido abordar e possibilitar a construção de novas hipóteses com relação à noção de esquema corporal, reconhecimento e nomeação de partes do corpo por meio de brincadeiras, músicas, exploração do espelho exaltando sua auto-imagem, diferentes posturas, gestos e expressões. Outros conceitos que serão trabalhados serão a passagem do tempo (dia, noite, estações do ano) por meio do uso de calendário e marcação do tempo diário com placas que indicam a rotina diária; reconhecimento de diferentes paisagens (campo e cidade); valorização e preservação do meio ambiente e de recursos naturais, através de ações simples como jogar lixo no lixo, não desperdiçar; classificação de diferentes animais e seu habitat; reconhecimento de meios de transporte e de comunicação; valorização da família, meio ambiente e comemorações que revelam nossa cultura por meio de eventos abertos ou não à comunidade a serem promovidos pela escola. Tais conceitos serão explorados ao longo do ano utilizando diferentes materiais e fontes de informação e de pesquisa.
          No campo das linguagens é pretendido explorar as múltiplas linguagens da criança: oral, escrita, musical, corporal e artes visuais. Nas linguagens oral e escrita serão trabalhados a oralidade por meio de situações em que a criança precise se comunicar, expressar opiniões, ouvir e contar histórias, ouvir e cantar músicas, participar ativamente de votações na turma para decidir consensualmente algo que atinja o coletivo. Tais objetivos serão alcançados em momentos de roda de conversa, de leitura e atividades dirigidas. Também será dada importância aos momentos de registros das crianças (mesmo os de escrita não convencional) ou da professora como escriba, leitura de crachás, reconhecimento de letras com o intuito de incitar na criança a importância da leitura e escrita em suas vidas. Para isso serão trabalhados diversos gêneros textuais e possibilitados momentos de exploração desses diversos tipos de textos como jornais, revistas, bilhetes, cartas, livros, poesias, gibis, enfim, visando o contato, o despertar do interesse e a inserção no mundo letrado. Nas linguagens musicais e corporais serão explorados os sentidos, ritmos, melodias, distinguindo diferentes eventos sonoros e oferecendo acesso a um repertório musical variado incentivando o gosto e o interesse por diversos gêneros musicais desde um estilo clássico até o popular. Tais conteúdos serão trabalhados por meio de atividades lúdicas que envolvam a expressão do sentimento evocado em cada evento sonoro, os ritmos lentos e rápidos, a dança como expressão livre ou coreografada, exploração do silêncio e dos sons de diferentes instrumentos musicais. Nas artes visuais é pretendido possibilitar o contato com obras artísticas, materiais diversos para a produção própria da criança construindo uma boa relação com suas próprias produções artísticas e as de seus colegas. Com isso, incita-se o interesse artístico-cultural por meios de comunicação e expressão diversos. Para tanto é preciso explorar diferentes materiais como sulfite, cartolina, giz de cera, canetinha, materiais diversos para colagem, pintura, entre outros para verificarem os diferentes resultados obtidos com diferentes instrumentos. As produções tanto individuais quanto coletivas despertam para o belo e a expressão artística que envolve sentimentos, valores, opiniões, sendo importante o ato de expor e discutir em grupo cada produção realizada.
            Com relação às noções lógico-matemáticas será explorada a importância da matemática em nossa vida por meio de situações cotidianas e em atividades dirigidas. A contagem, as formas dos objetos que nos cercam, e outros conceitos do dia-a-dia serão trabalhados ao longo do ano letivo em meio à rotina diária das crianças como contagem de quantas crianças que estão presentes ou ausentes, em alguma brincadeira, bem como em integração com outros conteúdos de outras áreas de forma lúdica. Sequência numérica, lateralidade, grandezas, figuras geométricas, resolução de situações-problemas, tempo e espaço, larguras, espessuras, posições de dentro ou fora são aspectos que serão trabalhados cotidianamente e/ou de forma mais pontual em alguma atividade específica.
            E com relação ao brincar, concordo com Elkonin (1998) de que se trata de uma atividade essencial na infância, uma vez que envolvem muitos aspectos do desenvolvimento físico, cognitivo e psicológico. Por meio do ato de brincar espera-se oportunizar situações em que as crianças se expressem livremente, desenvolvendo a criatividade, oralidade, concentração, solidariedade, partilha de brinquedos, apreensão de papeis sociais em situações reais ou hipotéticas. Para tanto serão utilizados diferentes brinquedos, espaços, brincadeiras de roda, faz-de-conta, parque, jogos com regras e etc.
            Por fim, tais conhecimentos planejados, a serem trabalhados nas áreas destacadas acima, estão aqui elencados pela convicção de que são importantes para o desenvolvimento integral das crianças nessa fase da educação infantil.

Profª Tatiane Domingues
Turma AGII A
Ano letivo de 2014

REFERÊNCIAS:
           
ARCE, A. MARTINS, L. M. (org). Quem tem medo de ensinar na educação infantil?: em defesa do ato de ensinar. Campinas, SP: Editora Alínea, 2010. 2ª edição.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 22 de dezembro de 1996. Brasília/DF: MEC, 1996.

BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil/ Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília:MEC/SEF, 1998.

ELKONIN, D. B. Psicologia do jogo. (A. Cabral, Trad.). São Paulo: Martins Fontes, 1998.



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