domingo, 4 de março de 2012

A inclusão de alunos com síndrome de Down: desafios

Autora:
Aline Augusta Carvalho
Graduanda em Pedagogia com Ênfase em Necessidades Educacionais Especiais pela PUC Minas

A inclusão de alunos com síndrome de Down: desafios

RESUMO

O presente artigo destaca temas referentes à questão da
inclusão de crianças com Síndrome de Down (SD) na escola
regular. Ainda que nos dias atuais as escolas se digam
inclusivas, infelizmente tem-se notado que parte dos
profissionais da educação ainda não possui preparação
para desenvolver com essas crianças atividades que realmente
as façam sentir valorizadas no meio em que estão
incluídas.

O Brasil tem passado, nos últimos anos,por um grande desafio. O desafio de incluir crianças que possuem diversas deficiências na escola regular. Focando a Síndrome de Down, podemos visualizar
claramente quantas são as crianças que deixaram de estudar em escolas especializadas para prosseguirem suas vidas escolares em escolas da rede regular de ensino público ou privado. As mudanças de realidade dessas requerem cuidados e dedicação por parte de toda a sociedade, pois quando uma criança com necessidades educacionais especiais (NEE) é aceita em uma instituição de ensino comum, várias barreiras devem ser transpostas: vencer o preconceito e promover a mudança, a adaptação na metodologia de ensino de forma a atender, realmente, às necessidades do aluno.
Na Declaração de Salamanca (UNESCO,1994), é reforçado o direito que todos os sujeitos com deficiência têm perante o ensino escolar. É destacado que aqueles como necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades, contribuindo assim para uma
sociedade mais inclusiva e alcançando uma educação para todos.
A escola é o lugar ideal para a iniciaçãoe o incentivo de uma sociedade mais inclusiva.
Nessa perspectiva, Carvalho (1998,p. 170) comenta que a escola pressupõe,
conceitualmente, que todos, sem exceção,devem participar da vida acadêmica, em escolas ditas comuns, nas classes ditas regulares,onde devem ser desenvolvidos os trabalhos pedagógicos, que sirvam a todosindiscriminadamente.
Pesquisei uma instituição de ensino que me permitisse fazer um estudo de caso voltado exatamente para a Síndrome de Down e fui acolhida carinhosamente por uma instituição particular de ensino da rede regular.
A turma era do 3° Período da educação infantil e nela estava matriculado o Vítor1, de 7 anos de idade, que possui a SD. Na esperança de que eu pudesse ajudar de alguma forma no processo de ensino-aprendizagem desse educando, a diretora me permitiu fazer o estudo.
Inicialmente, notei que essa criança era alegre, gostava muito de brincar, individualmente e com seus colegas de classe, e aceitava a minha presença sem dificuldades. Porém, quando a professora regente solicitava que guardassem os brinquedos para que a aula fosse iniciada, essa criança se tornava agressiva, chorava demasiadamente e não respondia com aceitação ao pedido da professora.
Para que os demais alunos pudessem concentrar durante a aula, a educadora me
pedia para sair da sala como o Vitor. Assim que ela me fazia o pedido, eu logo saía, e aos
poucos fui conhecendo sua história. Pedi à coordenadora que me deixasse ler todos os relatórios referentes à sua vida escolar e, se possível, me permitisse marcar uma reunião com seus pais. Fui atendida. No terceiro dia que eu estava na escola, pude conversar com os pais de Vítor, que acreditavam seriamente em minhas intenções. Expliquei a eles que eu estava ali de passagem,
e meu objetivo era criar um meio que possibilitasse a essa criança maior envolvimento
nas aulas, já que até mesmo os pais diziam que ele não teria capacidade de aprender a
ler e a escrever. Ao ouvir isso, me senti impotente diante a crença desses pais. Pensei: se
eles não acreditavam na capacidade do filho, por que o estavam deixando freqüentar uma
escola com padrão tão elevado em nível de ensino-aprendizagem? Quase desisti nesse
momento.
Posteriormente, apresentei à coordenadora de ensino da instituição um modelo de Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). Segundo Pereira e Vieira (1996), o PDI é um instrumento de ensino que permite aproximar o conteúdo às capacidades individuais e às necessidades educacionais de cada educando, buscando ajudá-lo a apropriar-se das habilidades e competências propostas nos
currículos escolares. Após 12 dias que estava fazendo meu estudo e com um pouco de
conhecimento a respeito do Vítor, propus à instituição o desenvolvimento de um PDI, voltado
para suas necessidades e que também pudesse atender a seus desejos. Como esse aluno se sentia bem ao brincar, aconselhei a professora a desenvolver uma metodologia de ensino baseada na ludicidade, usando jogos e brincadeiras que proporcionassem a todos os alunos a compreensão dos conteúdos de uma forma mais divertida. Fiz esse estudo durante um mês e pude
perceber que a professora começou a se sentir mais segura para lidar com Vítor,
começando a lhe impor limites e também adaptando sua metodologia de ensino às habilidades
que esse aluno apresentava. Além de brincar com seus colegas, agora Vítor começou a compartilhar momentos de estudo como, por exemplo, trabalho em grupo com o objetivo de apresentarem uma história para o restante da turma.
Quanto à direção da escola, demonstrou-se satisfeita com o trabalho e prometeu empenhar-se em conhecer e pesquisar documentos que promulgam a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular. Disse querer estar preparada para receber os próximos alunos com NEE que quiserem estudar na escola. E que logo buscaria meios que possibilitassem ao
corpo docente melhor conhecimento sobre a inclusão.
A inclusão ainda está “engatinhando”, é como uma criança que está aprendendo a caminhar, toma vários tombos, mas insiste, até conseguir. Espero que, assim como essa diretora, essa instituição, muitas escolas busquem meios que ajudem a inclusão a acontecer nos espaços escolares, pois se
a geração de nossas crianças crescerem visando à aceitação de diferenças no âmbito
escolar, certamente no futuro a sociedade como um todo será efetivamente uma “sociedade
inclusiva”.

Referências:

CARVALHO, R, Edler. Temas em Educação Especial. Rio de Janeiro. Ed. WVA, 1998.
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA e Linha de Ação Sobre Necessidades Educativas Especiais.
Trad. Edílson Alkmim Cunha. Brasília: CORDE, 1994.
MAZZOTTA, José Marcos da Silveira. Educação Especial no Brasil: História e políticas públicas. São Paulo: Cortez, 1996.

Retirado de : Revista Eletrônica - “O caso é o seguinte...” Coor denação Pedagógica: Coletânea de Estudos de Casos

Um comentário:

  1. Olá, Aline!
    Li seu post sobre a inclusão das crianças com SD em escolas regulares. Sou prof de 5 a 8 série e tenho uma aluna com SD . Quando cheguei na escola que leciono há 2 anos , vi que eu tinha uma grande tarefa pela frente. A primeira coisa que pensei " será que vou dar conta?".Quando iniciei minhas aulas nessa turma, vi que essa aluna nem olhava para mim, e mesmo ela estando na 5 série ainda não era alfabetizada. Então resolvi me aproximar dela para que comessássemos algum trabalho.No ano passado trabalhei o alfabeto com ela. Hoje ela está na 6 série e começando a ler textos pequenos. Sinto orgulho de ter essa aluna comigo. Sei que ela está se esforçando cada dia . Ela realmente é o presente que ganhei de Deus! Espero poder continuar a fazê-la feliz com inclusão.

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