segunda-feira, 5 de março de 2012

Uma Proposta Inclusiva na Educação/ Estudo de Caso

 

 
Trabalho apresentado ao Curso de Graduação
 em Pedagogia da UNOPAR - 
Universidade Norte do Paraná, para a disciplina 
[Produção Textual Interdisciplinar em Grupo].
Orientadores: Prof.ª Lilian Salete, Daniele Fioravante / 
Carlos Eduardo de Souza Gonçalves, 
Vilze Vidotte Costa, Fábio Luiz da Silva.

Socialização e Inclusão do Aluno Portador de Deficiência Mental.

Girlaine Carvalho Miranda Barbosa
Jarenilde XXXXXXXX
Nilcéia XXXXXXXX
Tatiane XXXXXXXXX
Uma Proposta Inclusiva na Educação/ Estudo de Caso
Introdução:

                            O presente trabalho tem por objetivo indicar procedimentos que possam auxiliar na efetivação e facilitação do processo de inclusão do aluno X, 15 anos, portador de deficiência mental que se encontra amparado pelo MEC cursando o 1º ano do ensino médio em uma escola regular.
                     Conhecendo algumas das dificuldades tais como: Troca das letras T por D e R por L, alfabetização precária, dificuldade em sua expressão oral, comportamento por vezes impaciente e agressivo agravado pelo distanciamento por parte do corpo escolar e inexperiência da equipe de professores no trato, serão propostas ações que possam efetivar seu processo de inclusão.
                    Em síntese podemos entender que:
“O homem, na sua essência, é um ser inacabado, num processo contínuo de vir a ser, mediado pelo acesso às interações sociais”. (GADOTTI, 1999, p. 44)
                  Compreende-se então, a necessidade de auxiliar na socialização do aluno portador de Deficiência Mental, a fim de inseri-lo não apenas no espaço escolar, mas na sociedade como um todo, uma vez que a proposta não é apenas a inserção no sentido de ser posto no mesmo espaço que os demais, mas o trabalho contínuo a fim de que haja uma maior compreensão e aceitação das diferenças por parte da sociedade e comunidade escolar.
                 Segundo DE PAULA (2006, p.10), “Uma escola inclusiva se caracteriza por aceitar, respeitar e valorizar alunos com diferentes características: meninos e meninas, altos e baixos, gordos e magros, pobres e ricos, negros, brancos, índios, cegos, surdos, em cadeiras de rodas, usando lupa, usando calçado ortopédico, usando aparelho no ouvido, com doença crônica, católicos, protestantes, evangélicos e outros. É uma escola construída sobre o princípio da educação como direito de todos os cidadãos. É um objetivo a ser alcançado pela luta por uma escola pública gratuita e de qualidade.”.
               Diante da atual conjuntura legal do processo de inclusão que se encontra em andamento é justamente para que isso se torne realidade que a equipe pedagógica, corpo discente, sociedade e governo devem trabalhar.


Desenvolvimento

             Partindo dos dados obtidos a proposta inicial é solicitar que a família procure auxílio de outros profissionais para se obter um diagnóstico mais preciso das dificuldades do aluno. Consideramos o procedimento importante uma vez que os portadores de deficiência mental precisam de acompanhamento especializado e a família é crucial nesse processo podendo auxiliar ou tornar-se um entrave no desenvolvimento educacional, social e emocional do mesmo.
           É sabido que:
O aluno com essa deficiência tem uma maneira própria de lidar com o saber, que não corresponde ao que a escola preconiza. Na verdade, não corresponder ao esperado pela escola pode acontecer com todo e qualquer aluno, mas os alunos com deficiência mental denunciam a impossibilidade de a escola atingir esse objetivo, de forma tácita. (GOMES, et al., 2007)
          Considerando a citação acima, é entendido que cabe também ao profissional da educação aceitar esse saber e, partindo do diagnóstico dos demais profissionais e apoio da família, elaborar práticas pedagógicas que possam facilitar o aprendizado e socialização do aluno portador de necessidades espaciais, compreendendo que as diferenças são naturais na escola e na vida; uma vez que cada indivíduo possui uma forma própria de ver o mundo que não pode ser tida aqui como inferior ou superior, mas como um saber diferenciado que deve ser considerado e trabalhado.
O Atendimento Educacional Especializado para o aluno com deficiência mental deve permitir que esse aluno saia de uma posição de “não saber” ou de “recusa de saber” para se apropriar de um saber que lhe é próprio, ou melhor, que ele tem consciência de que o construiu. (GOMES, et al., 2007)

        Será proposta também a inserção do aluno em turno diferenciado em escola especializada que em maioria dos casos oferece aos alunos atendimento especializado – área pedagógica, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Psicologia, Educação Física, Artes, além de possuir uma estrutura física superior em relação à escola regular podendo assim auxiliar a família e propiciar a criação de um intercâmbio com a escola regular, para que em conjunto encontrem um ponto em comum para trabalhar com o aluno, pois ao tempo em que a escola especializada trabalha as deficiências, a regular trabalha a socialização, a fim de incluí-lo na sociedade de forma efetiva como lhe é de direito.
Portanto, os dois: escola comum e Atendimento Educacional Especializado precisam acontecer concomitantemente, pois um beneficia o desenvolvimento do outro e jamais esse benefício deverá caminhar linear e seqüencialmente, como se acreditava antes. (GOMES, et al., 2007)

           Segundo DE PAULA (2006, p. 12) “Uma escola, com um único método e objetivos únicos para todos os alunos está mais que ultrapassada. Ao elaborar planos de trabalho que fazem parte do Projeto Pedagógico, as escolas assumem compromisso de oferecer educação de qualidade para todas as crianças, utilizando métodos diferentes para atender às necessidades específicas dos alunos”.
         Desse modo será proposto a equipe pedagógica a elaboração e desenvolvimento de projetos voltados para o esclarecimento do tema Deficiência Mental e demais assuntos ligados à inclusão, visando educar os profissionais, discentes e funcionários da escola para uma nova realidade, uma vez que demonstram despreparo em lidar com o aluno. Dentro do projeto será proposto aos alunos a realização de debates sobre Deficiência Mental, apresentação de slides, documentários, filmes com o tema e apresentação de trabalhos em grupo e/ou individualmente.
        Considerando também que:
O aluno com deficiência mental tem dificuldade de construir conhecimento como os demais e de demonstrar a sua capacidade cognitiva, principalmente nas escolas que mantêm um modelo conservador de ensino e uma gestão autoritária e centralizadora. Essas escolas apenas acentuam a deficiência, aumentam a inibição, reforçam os sintomas existentes e agravam as dificuldades do aluno com deficiência mental.
        É preciso estudar formas de romper com o modelo de escola que ainda se alicerça em estruturas tradicionais que interferem diretamente de forma desastrosa no processo pedagógico aplicando de forma adaptativa atividades diferenciadas para alunos com algum tipo de deficiência.
Em outras palavras, ao adaptar currículos, selecionar atividades e formular provas diferentes para alunos com deficiência e/ou dificuldade de aprender, o professor interfere de fora, submetendo os alunos ao que supõe que eles sejam capazes de aprender.
       Deve-se, portanto buscar uma abordagem de igualdade nas aplicações das atividades, não apenas para o aluno portador de deficiências, mas para toda turma, ou seja, o professor propõe diversas atividades e o aluno r escolhe a de seu interesse e executa, sendo avaliado de acordo com o que lhe é compatível.
       Outro aspecto relevante é o trabalho que deverá ser realizado no sentido de incentivar o processo de letramento do aluno, no qual implícito está a ideia que:
[...] a escrita traz conseqüências sociais, culturais, políticas,econômicas, cognitivas, lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la (1998: 17).
        Para facilitação desse processo, será contatada a Secretaria de Educação do município a fim de solicitar o auxílio de um apoiador, (levando em consideração que alguns deficientes têm direito a esse benefício) uma vez que seu comportamento, por vezes impaciente e agressivo dificulta o andamento da aula.
      O processo de letramento do aluno será trabalhado na busca de melhorar sua comunicação e convivência com os demais, pois se entende que a escrita traz “conseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la” ((GOMES, et al., 2007 apud SOARES, 1998,p.17).

Sabendo que os alunos portadores de Deficiência Mental:
[...] vivenciam processos cognitivos semelhantes aos das crianças ditas
normais, no que se refere ao aprendizado da leitura e da escrita. Embora o ritmo de aprendizagem dos alunos com deficiência se diferencie por requerer um período mais longo para a aquisição da língua escrita, as estratégias de ensino para esses alunos podem ser as mesmas utilizadas com os alunos ditos normais.
       Caberá aos professores a criação de estratégias que possam auxiliá-lo nesse processo, bem como o trabalhar com os demais alunos aspectos relevantes sobre a deficiência mental a fim de esclarecer e quebrar paradigmas discriminatórios e preconceituosos, para que assim compreendam que a melhor forma de tratar o Deficiente Mental é com igualdade e respeito.  

 

Conclusão:

        Compreendendo que as propostas de ações não são modelos prontos e acabados e que devem sim ser analisadas, experimentadas e aplicadas de acordo com o grau de deficiência de cada um, cabe salientar que as deficiências existem e estão em toda parte, mas em se tratando de deficiência mental, (por falta de esclarecimento) a resistência torna se maior a cada dia.
       A verdade é que:
As outras deficiências não abalam tanto a escola comum, pois não tocam no cerne e no motivo da sua urgente transformação: considerar a aprendizagem e a construção do conhecimento acadêmico como uma conquista individual e intransferível do aprendiz, que não cabe em padrões e modelos idealizados.
       Mais uma das verdades que precisam ser ditas enfaticamente é que o preconceito é a maior das deficiências e não se pode deixar de frizar que falta muito à escola regular para que a inclusão aconteça efetivamente como: estrutura física, capacitação profissional, valorização do professor e principalmente uma maior conscientização a fim de se trabalhar com as diferenças deixando de lado modelos obsoletos que acabam por discriminar e excluir os alunos portadores de necessidades educacionais especiais.
     Precisa-se ainda, compreender que paradigmas existem para ser quebrados não tanto na vida quanto no âmbito escolar, onde há espaço para aprendizado, socialização e principalmente respeito ao ser humano seja ele como for e traga consigo a deficiência que trouxer.
No caso do aluno em questão a equipe pedagógica trabalhará as metodologias de acordo com o diagnóstico dos profissionais da área da saúde e em conjunto com a escola especial auxiliará na melhoria não apenas no processo de aprendizagem do aluno, mas em sua socialização e inclusão efetiva.
 
REFERÊNCIAS


COSTA, Vilze Vidotte.  O Trabalho do Pedagogo nos Espaços Educativos. São Paulo: Pearson Education, 2009.
DE PAULA, Ana Rosa.COSTA, Carmen Martini. A Hora e a Vez da Família: Em uma Sociedade Inclusiva. Brasília: SEESP / SEED / MEC, 2007.
GOMES, Adriana L. Limaverde. Atendimento Educacional Especializado: Deficiência Mental. Brasília: SEESP / SEED / MEC, 2007.
MALTEMPI, Silvia. O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. São Paulo: 2010. Disponível em:< http://doce-pedagogia.blogspot.com/2011/11/como-garantir-o-acesso-de-alunos-com.html > Acesso em: 28 out. 2011
SARTORETTO, Mara Lúcia. Como Avaliar o Aluno com Deficiência? 2010. Disponível em < http://assistiva.com.br/Como_avaliar_o_aluno_com_defici%C3%AAncia.pdf>
SILVA, Samira Fayez Kfouri da; RAMPAZZO, Sandra Regina dos Reis; PIASSA, Zuleika Aparecida Claro A ação Docente e a Divesidade Humana. São Paulo: Pearson Education, 2011.
STRECKER, Heidi. Comunicação e Linguagem. São Paulo: Pearson Education, 2011.
TRISTÃO, Daniela Pedrosa Fioravante. Psicologia da Educação II. São Paulo: Pearson Education, 2011.

5 comentários:

  1. olá Gi
    conheci seu trabalho há menos de dois meses e já estou amando e usando as atividades!!!!
    muito obrigada...
    e com certeza quero receber o caderno da Branca de Neve
    email: paulacultura@gmail.com

    bjo

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  2. ADORO SEU TRABALHO!!!!!!!!! VC O FAZ COM MUITO CARINHO E AJUDA A TODAS NÓS PROFESSORAS!!!!!!
    GOSTARIA DE RECEBER O CADERNO DA BRANCA DE NEVE.
    EMAIL: cris_souzafalo@yahoo.com.br

    MUITO OBRIGADA!!!

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  3. eu adoro tudo que tem no seu blog, tudo maravilhoso, pra mim é tudo aprendizado...sou estudante ainda, então pra mim tudo que vc posta tem um enorme valor....Que Deus te abençõe e ilumine sempre....obrigado
    tb queria este caderno da branca de neve.
    rosely_couto@hotmail.com

    bjss

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  4. Pensemos nisso, a inclusão é necessária.

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  5. olá parabéns pelo seu trabalho , tenho feito um bom proveito de suas sugestões,só tenho que agradescer ,tbm quero o caderno da branca de neve .
    fernandamendonca2013@gmail.com
    obrigada bjks

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